O equilíbrio fiscal se destaca como uma preocupação central do setor industrial para o próximo ano. O recente pacote de corte de gastos apresentado pelo governo federal não parece suficiente para equilibrar as contas públicas, gerando pressão sobre a taxa básica de juros. Após um ano em que a indústria de SC cresceu impulsionada pela redução da taxa de juros até maio de 2024, o panorama para 2025 apresenta desafios. A avaliação foi realizada pelo presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), Mario Cezar de Aguiar, durante a apresentação do balanço econômico da entidade, nesta terça-feira (10).
“Em 2025, começaremos a sentir os impactos do ciclo de alta da Selic, com consequências negativas para os setores que dependem de crédito, exatamente aqueles que têm impulsionado o desempenho da indústria catarinense,” explica Aguiar. A expectativa é de que o aumento da taxa de juros também afete o consumo, numa tentativa de conter a inflação. “Embora diversificada, a indústria catarinense deve registrar um desempenho menos robusto em 2025, devido à previsão de retração no crédito e no consumo”.
O presidente da FIESC anunciou também a transmissão no Youtube.
Os desafios que se avizinham em 2025 incluem um cenário internacional cada vez mais complexo, resultante dos crescentes conflitos no Oriente Médio e da contínua pressão na Ucrânia, que afetam o ambiente geopolítico global. Além disso, as tensões comerciais entre China e Estados Unidos introduzem políticas protecionistas, que podem alterar o comércio internacional. “SC pode encontrar algumas oportunidades, mas é cedo para avaliar os benefícios diretos para nossas indústrias”, avalia.
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Desafios do Mercado de Trabalho
A escassez de trabalhadores e a necessidade de qualificar a força de trabalho também emergem como questões relevantes para a indústria em 2025, conforme uma pesquisa realizada junto a industriais de SC. O estado tem alcançado uma situação de pleno emprego, com um aumento de 6,5% no número de empregos no setor até outubro deste ano. Segundo dados do IBGE, Santa Catarina apresenta a terceira menor taxa de desocupação do Brasil, com apenas 2,8% (dados do terceiro trimestre).
“A dificuldade em encontrar candidatos e em atrair a juventude para o setor industrial é um dos principais obstáculos à expansão. Este contexto, especialmente a nível nacional, demanda uma reformulação no programa Bolsa Família, um fator que já está impactando o mercado de trabalho”, enfatiza Aguiar.
“Apesar de ser uma iniciativa essencial para combater a pobreza, é necessário um aprimoramento do programa, pois ele desestimula a busca por empregos e favorece a informalidade. Estamos diante de um paradoxo: enquanto 20 milhões de famílias brasileiras dependem desse benefício, as empresas enfrentam dificuldades para contratar”, observa Aguiar.
A FIESC endereçou à bancada federal catarinense uma manifestação solicitando mudanças no programa. A proposta visa estabelecer um modelo que promova o trabalho, auxiliando beneficiários a adquirir habilidades, elevar sua renda e alcançar a autonomia financeira de modo sustentável. Essa transformação também poderia reduzir os custos do programa, liberando recursos que poderiam ser utilizados para aumentar a produtividade da economia. “O verdadeiro sucesso do programa deve ser medido pela agilidade com que os beneficiários se tornam autossuficientes, e não pelo aumento do número de atendidos. A educação e o trabalho são fundamentais para o êxito de indivíduos, empresas e nações”, conclui Aguiar.
Um estudo da Confederação Nacional da Indústria aponta que, para atender à demanda da indústria de Santa Catarina nos próximos três anos, será necessário qualificar 953.400 trabalhadores. Desses, 151.100 precisarão de nova formação para se adequarem ao ritmo de criação de empregos e à reposição de profissionais que deixarão o mercado de trabalho. Outros 802.300 precisarão de treinamento e desenvolvimento para atualizar suas competências.








